Carlos Alexandre J. Bertolin
Muitas pessoas se espantam e passam a me considerar, no mínimo, um excêntrico quando tomam conhecimento de minhas idéias monarquistas.
De uma maneira geral, no nosso País, há uma razoável tolerância com quaisquer posições políticas situadas entre a centro-esquerda e a extrema-esquerda. Estas seriam as “forças progressistas”, o “Bem”.Por outro lado, quaisquer idéias consideradas de direita são rejeitadas. São as “forças reacionárias”, o “Mal”. Esta é uma generalização sem qualquer fundamento, mas é encarada como uma verdade absoluta.
Sem entrar no mérito da questão, observo que o ideal monárquico foi enquadrado no segundo grupo.Para a maioria do nosso povo, a idéia de Monarquia é a de um Rei absolutista, um tirano, cercado por nobres incompetentes e corruptos, como freqüentemente é mostrado em novelas e mini-séries de produção nacional. Na verdade, isto é um grande preconceito que foi incutido nas nossas crianças desde o 1º Grau e que acaba sendo levado pela vida a fora reforçado pela mídia. Não há, na verdade, qualquer razão real para considerarmos o regime monárquico como algo retrógrado e digno do nosso desdém.
Entre os países com melhores índices de desenvolvimento humano, destacam-se as monarquias parlamentares, que seguem o modelo europeu. Mesmo as repúblicas mais desenvolvidas, com exceção dos Estados Unidos, são sempre parlamentaristas e jamais presidencialistas.
Nas repúblicas presidencialistas, em que o povo tem o duvidoso privilégio de escolher o Chefe de Estado, que também é o Chefe de Governo, o que se observa é uma crônica instabilidade política. Os golpes, revoltas e revoluções se sucedem em irônica monotonia. Raramente dois presidentes consecutivos conseguem concluir o seu mandato constitucional. O povo passa fome e uma elite encastelada no poder é capaz de qualquer coisa para manter os seus privilégios.
É um absurdo pretender-se que a sucessão presidencial ocorra em prazos fixos, pois, a política é muito dinâmica e imprevisível. Quem começou o governo com grandes planos e altos níveis de popularidade pode cair em desgraça perante seus eleitores em 6 meses. Terá, então, de governar sem respaldo popular por mais três, quatro ou cinco anos, a não ser que um golpe o derrube antes. O povo não deve ser chamado a participar da vida política apenas no dia das eleições, mas deve exercer um controle efetivo sobre o governo e isto somente é possível num sistema de governo parlamentarista com um monarca como Chefe de Estado. No sistema parlamentarista, o governo cairá se perder o apoio do Parlamento e, se este não conseguir formar um novo governo, terá de se submeter a novas eleições. Assim, o controle do povo sobre os governantes é bem maior.
Por outro lado, um rei não precisa do apoio de partidos para permanecer no cargo. Ele pode ser o Chefe de Estado de todos e não apenas dos seus correligionários e simpatizantes, como acontece na República. Desta maneira, pode-se fazer oposição ao governo, resguardando-se a figura do Chefe de Estado.
Assim, ao contrário do que muitos imaginam, a Monarquia Parlamentar é uma forma de governo ágil e moderna, que permite um maior controle do governo por parte dos cidadãos, ao mesmo tempo em que garante estabilidade política, maior desenvolvimento econômico e social e menor corrupção.
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